CARTA MCC BRASIL – SET 2019 nº. 241

 

“Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt 24,13. “É pela vossa paciência  que conseguireis salvar a vossa vida!” (Lc 21,19) “Felizes os mansos, porque receberão a terra em herança” (Mt 5,4) .

 

 

Caríssimos leitores e leitoras, perseverantes seguidores do caminho de Jesus, estejam com todos a paz e alegria do Evangelho do Reino!

 

Introdução. O capítulo IV da Exortação Apostólica “Gaudete et Exultate” (GE) que estamos comentando há vários meses, tem por título “Algumas características da santidade no mundo atual” e logo no primeiro subitem chama nossa atenção para um de seus aspetos fundamentais: “Perseverança, paciência e mansidão” (GE 112-121). Ao tratar, hoje, da virtude da perseverança, entendemos que ela pode ser uma síntese perfeita das outras duas virtudes: paciência e mansidão. Daí a citação bíblica acima, motivadora de uma breve reflexão sobre cada uma delas.

 

  1. Perseverança. Nossa atual cultura parece ser a cultura do imediatismo, da pressa, das experiências superficiais e, na maioria das vezes, inconclusas. Em quase todas as situações diárias da vida parece ouvirmos aquele sussurro interior avisando “você não tem tempo a perder”. Com isso, abandonasse apressadamente o essencial para usufruir a fugaz passagem do acidental, do superficial. Ensina a GE que “A primeira destas grandes características é permanecer centrado, firme em Deus que ama e sustenta. A partir desta firmeza interior, é possível aguentar, suportar as contrariedades, as vicissitudes da vida e também as agressões dos outros, as suas infidelidades e defeitos: ‘Se Deus é por nós, quem pode ser contra nós? (Rm 8,31). Nisto está a fonte da paz que se expressa nas atitudes de um santo’” (GE 112).

 

  1. Paciência. Afirma o Pe. Adroaldo Palaoro, SJ num dos seus preciosos comentários dos evangelhos dominicais: “A paciência não é uma palavra da moda hoje em dia. E talvez por isso é das mais necessárias. A paciência supõe esperar e respeitar os tempos. Supõe desejar a chegada do outro e não ter mais que fazer a não ser esperar. Desejar e esperar.” Também assim continua a GE: “Com base em tal solidez interior, o testemunho de santidade, no nosso mundo acelerado, volúvel e agressivo, é feito de paciência e constância no bem. É a fidelidade (pistis) do amor, pois quem se apoia em Deus também pode ser fiel (pistós) aos irmãos, não os abandonando nos momentos difíceis, nem se deixando levar pela própria ansiedade, mas mantendo-se ao lado dos outros mesmo quando isso não lhe proporcione qualquer satisfação imediata”.(GE 112).

 

  1. Mansidão. Nada mais oportuno do que lembrar, outra vez, uma das bem-aventuranças: “Felizes os mansos, porque receberão a terra em herança” (Mt 5,5). Palavras da GE: “São Paulo convidava os cristãos de Roma a não pagar a ninguém o mal com o mal (Rm 12,17), a não fazer justiça por conta própria (12,19), nem a deixar-se vencer pelo mal, mas vencer o mal com o bem (12,21). Esta atitude não é sinal de fraqueza, mas de verdadeira força, porque o próprio Deus “é lento para a ira e muito poderoso” (Na 1,3). Assim nos adverte a Palavra de Deus: “Desapareça do meio de vós todo amargor e exaltação, toda ira e gritaria, ultrajes e toda espécie de maldade” (Ef 4,31) (GE 113).

 

 

Sugestão para reflexão pessoal e/ou em grupo. Como sugestão, ai vão algumas das pistas contidas nas perguntas finais do mesmo Pe. Adroaldo Palaoro, SJ: Como você vive suas “esperas cotidianas?” Você é um impaciente? Não suporta esperar na fila no cinema? Fica nervoso quando o ônibus atrasa mais de cinco minutos? Espera que lhe respondam as mensagens de Whatsapp em questão de segundos? Irrita-se quando alguém chega um pouco atrasado no encontro marcado? Entretanto, você também sabe que o importante requer seu tempo, que “os bons pratos são cozidos a fogo lento”. Aproveitemos a exortação do Papa sobre a perseverança, a paciência e a mansidão, para fazer uma pausa para meditação!

 

Desejando que a perseverança fortaleça a coragem, a paciência supere as agruras resultantes da correria da vida contemporânea e a mansidão seja bálsamo diante da intolerância, deixo uma vez mais meu abraço amigo e fraterno.

 

  1. José G. BERALDO

Equipe Sacerdotal

GEN MCC Brasil E-mail: jberaldo79@gmail.com


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