Aula 19/02/18 – Aspectos Sociais e Religiosos da Galiléia
ASPECTOS SOCIAIS E RELIGIOSOS DA GALILÉIA
19/Fevereiro/2018
O que queria o povo judeu -: na época de Jesus, Israel era dominado pelo Império Romano, como a quase totalidade do mundo conhecido. Como era natural, o povo judeu queria seu país livre de invasores. Aquela era a terra deles, dada por Deus desde os tempos de Moisés; era a “Terra Prometida” e por isso não aceitavam que um povo pagão a dominasse e ditasse regras para eles. Além disso, os judeus ricos, que detinham o poder de talvez realizar alguma coisa para melhorar a situação do povo, eram submissos e até mesmo colaboradores dos romanos. Desta forma, a situação era de profunda insatisfação do povo.
Jesus teve, pois, a sua infância e adolescência em meio a movimentos que queriam a libertação de Israel. Muitos desses movimentos, senão todos estavam ligados às antigas profecias que anunciavam a vinda de um “Messias” que libertaria o país comandando um exército que varreria os dominadores da região. Seria, pois, um guerreiro enviado por Deus.
Dessa maneira, as rebeliões eram bastante comuns, notadamente na Galiléia, cuja maioria da população era constituída por agricultores, pessoas pobres que constantemente tinham seus pequenos pedaços de terras desapropriadas por falta de pagamento de impostos, tanto ao governo romano quanto aos sacerdotes do templo. Os impostos eram muito pesados, o que tornava quase impossível o seu pagamento pelos habitantes da região.
O Messias viria? -: a população acreditava que “o fim dos tempos” estava próximo e todos, confiantes, aguardavam a vinda do Messias prometido pelas profecias do Antigo Testamento. A firme crença do povo judeu era que esse Messias, antevisto como um formidável guerreiro viria para salvá-los da opressão romana e devolver a Terra Prometida ao povo judeu, que se considerava seu legítimo proprietário, desde que Deus assim havia prometido.
Como as profecias ligavam a vinda do Messias ao já citado “fim dos tempos” e a situação geral pareciam, aos olhos do povo, muito semelhante a isso, cada líder libertário que aparecia (e eram muitos) era considerado como sendo o possível Messias, pois lutavam pela libertação de Israel.
Esses líderes de movimentos de libertação geralmente pertenciam à classe dos assim chamados “zelotes”, que, embora em grande minoria, lutavam armados. Usavam de grande violência contra os romanos e seus colaboradores judeus.
Na grande maioria dos casos, as revoltas que surgiam eram sufocadas pelos romanos, cujo poderio militar ultrapassava em muito a capacidade guerreira dos zelotes. Quando as rebeliões eram dominadas, os rebeldes presos eram crucificados, de acordo com a lei romana, que mandava assim castigar os que conspiravam contra Roma. A crucificação, que mais tarde iria ser o destino de Jesus, não era, pois, uma lei judaica. Ladrões e outros malfeitores que não haviam conspirado contra o Império Romano não eram crucificados, e sim punidos de outra forma, que podia até ser a morte, mas não por crucificação.
João Batista e Jesus -: por essa época apareceu em Israel um homem pregando uma forte palavra de conversão de vida, chamado João. Como costumava batizar as pessoas que aceitavam sua pregação com a água do rio Jordão, foi chamado de João, o Batista. Como narram os Evangelhos, João Batista vestia-se com peles de camelo e comia gafanhotos e mel silvestre. Era uma figura impressionante, mas não pregava contra o Império Romano, mas principalmente contra Herodes Antipas, o soberano da região, cuja vida dissoluta ia contra todos os princípios morais da Lei mosaica.
Por sua grande aceitação pelo povo, muitos passaram a considera-lo como o possível Messias. Ele, entretanto, encarregou-se de desfazer essa crença, ao dizer: “Aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu, e eu não tenho o direito de sequer amarrar as suas sandálias” (Mt 3, 11). Mas João, como vimos, não era nem o Messias nem um zelote, embora tenha sido assim considerado por muitos.
Já Jesus, uma figura muito mais impressionante sob todos os aspectos, também arrebatava o povo com sua pregação, e da mesma forma que João Batista, foi também considerado um zelote por muita gente. No entanto, o ideal dos zelotes era a luta armada, a violência, ideias que Jesus jamais abraçou nem praticou. Jesus também não pregou contra o Império Romano, pois sua pregação não era material, mas principalmente espiritual. Os seus seguidores da época, de uma forma mais ou menos duvidosa, consideraram-no o Messias, e só tiveram essa certeza absoluta após a sua Ressurreição.