Aula 06/02/17 – A Criação Do Homem E Da Mulher


A CRIAÇÃO DO HOMEM E DA MULHER

06/Fevereiro/2017

O Gênesis e a criação do ser humano -: o primeiro capítulo do Gênesis narra simplesmente que Deus criou o ser humano, sem nenhum detalhe a mais sobre isso. No segundo capítulo, entretanto, esse acontecimento mereceu uma narração detalhada, desde a modelagem do homem em barro até o sopro da vida nele insuflado. Diz o capítulo ainda que Deus, sabendo que não devia deixar o homem sozinho, adormeceu Adão e retirou-lhe uma costela, criando a mulher.

Para quem crê em Deus simplesmente, não é difícil aceitar isso. No entanto, para os mais esclarecidos e, principalmente para o exegeta (estudioso e intérprete da Bíblia), existem muitos problemas a explicar, pois a passagem bíblica atribui a Deus um modo de agir que não deve ser tomado ao pé da letra: Deus tem mãos, fala consigo mesmo, modela o barro, sopra sobre a figura humana, passeia pelo Paraíso, etc. Por isso, é preciso que, ao estudarmos a narrativa do Gênesis sobre a criação do ser humano, saibamos até onde aceitar a história ao pé da letra e como podemos conciliá-la com aquilo que a Ciência procura explicar.

As duas questões importantes -: portanto, duas questões se apresentam:

1- Devemos acreditar na narrativa bíblica sobre a criação do ser humano exatamente como a Bíblia conta?

2- Como se pode interpretar essa narrativa de uma forma que se concilie com um mínimo de princípios científicos, sem ofender a nossa fé?

Do ponto de vista puramente imparcial, o exegeta interpretará a narrativa como uma figura simbólica, escrita para as pessoas crentes daqueles tempos, dentro daquilo que a cultura da época podia alcançar. O próprio escritor sagrado do Gênesis, ainda que inspirado por Deus, não poderia escrever nada que ultrapassasse a sua própria cultura. Então, o mais correto é ponderar que, devido aos ambientes raciais, culturais e de época em que os livros do Antigo Testamento foram escritos, a narrativa teria de ser como realmente foi: de uma forma tal que permitisse aos homens da época compreender o sentido principal: que Deus criou o homem por um ato de Sua vontade (simbolizada pela figura de barro) e colocou nele uma alma imortal (simbolizada pelo sopro de vida).

Por outro lado, a segunda questão nos propõe buscar uma forma de conciliar aquilo que está escrito com as ideias científicas da época atual. Antes, é preciso saber que a Ciência só aceita fatos devidamente comprovados. Quaisquer fatos propostos sem a devida comprovação são apenas teorias (hipóteses). Logo, a Ciência ainda não tem nenhum ponto de vista firmado concretamente sobre a origem do homem. Existem teorias que tem alguma coisa em comum e muito de contradição entre si. Então, para o cristão consciente, será preciso buscar entre essas teorias aquela que lhe pareça, ao mesmo tempo, mais lógica e mais coerente com a sua fé.

As três hipóteses da Ciência -: as hipóteses mais correntes entre os cientistas sobre a origem do ser humano são as seguintes:

1- A hipótese Materialista: afirma que toda a criação desenvolveu-se de uma forma puramente casual, produto de uma evolução feita às cegas, que assim como produziu o ser humano consciente, poderia ter produzido qualquer outro animal ou coisa com consciência. É a teoria do “acaso”. Está claro que esta teoria bate de frente com as crenças cristãs. Se tudo sucedeu por acaso, como explicar a ordem perfeita e imutável de todas as leis do Universo? Dia e noite, frio e calor, órbitas planetárias imutáveis, não se pode explicar ao acaso.

2- A hipótese da Evolução Ordenada -: diz que a criação do ser humano e de tudo o que existe apareceu de algo desconhecido, mas não evoluiu ao acaso e sim de uma forma ordenada, com o homem adquirindo consciência acima de toda a criação. Embora concorde com a crença cristã de que o homem é um ser superior a tudo o mais por algum motivo, não explica qual e nem por que. Também não pode ser aceita pelo cristão consciente.

3- A hipótese da Dualidade (Corpo e Espírito) -: diz que a Criação se deu por meio de um ato de Deus, afirmando que a evolução do ser humano veio desde os seres inferiores até o homem atual, mas só no que tange ao corpo material, sendo o seu espírito criado por Deus. Esta hipótese desenvolvida e aplicada por cientistas religiosos não contradiz em nenhum momento o dogma da Criação ensinado pela Bíblia, e aplica os princípios científicos da Evolução à vontade de Deus. A Igreja Católica, através da Encíclica Humanis Generis (O Gênero Humano) diz que esta teoria é plenamente compatível com a crença cristã.


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