Aula 02/2010 – A PROFISSÃO DE FÉ (2ª. PARTE)


02 – A PROFISSÃO DE FÉ (2ª. PARTE)

(Itens 50 a 95 do Catecismo da Igreja Católica)

A revelação de Deus -: por meio da razão natural, o homem pode conhecer a Deus, a partir das suas obras. Mas existe uma outra forma de conhecimento que o homem não pode atingir por si só: é a Revelação divina. Deus, por sua própria decisão, se revela ao homem. Como? Enviando ao mundo seu próprio Filho, Jesus Cristo, e também o Espírito Santo. Ao revelar-se, Deus quer tornar os homens capazes de responder-lhe, de conhecê-lo e de amá-lo, além do que seriam capazes por si mesmos.
O método usado por Deus para esse fim (é a pedagogia divina) compreende a comunicação gradual com o homem, a preparação do homem por etapas e finalmente o surgimento do Verbo encarnado, que é seu Filho Jesus.
As etapas da Revelação -: criado o Universo, Deus dá aos homens, através das coisas por Ele criadas, um testemunho de sua existência. Além disso, desde os tempos passados, manifestou-se aos homens e os convidou a uma comunhão íntima consigo.
Esta Revelação não foi interrompida pelo pecado dos primeiros seres humanos. Deus, após a queda dos primeiros homens, alentou-os a esperar por uma salvação e cuidou permanentemente da raça humana, a fim de dar a vida eterna a todos aqueles que, pela fé e pela prática do bem, procuram a salvação.
A Aliança com Noé -: esta Aliança de Deus com Noé, após o dilúvio, exprime a vontade de Deus para com todas as nações, a fim de salvar a todos. Esta aliança permanece em vigor até à proclamação universal do Evangelho. A Bíblia exalta algumas grandes figuras das tribos (ou “nações”) de Israel, tais como Abel, o justo, o rei-sacerdote Melquisedec, e também Noé, Daniel e Jó.
Deus elege Abraão -: Deus chama Abraão para fora de seu país para fazer dele o pai de uma multidão de nações (“Em ti serão abençoadas todas as nações da terra” Gen 12, 3). O povo originado de Abraão será o depositário da promessa feita ao patriarca, o povo chamado a preparar a unidade, um dia, de todos os filhos de Deus na Igreja.
Deus forma o povo de Israel -: Deus elege Israel como seu povo, tirando-o da escravidão do Egito e fazendo com Moisés a Aliança do monte Sinai. Em seguida, dá ao povo a sua Lei, para que o reconheça e o sirva como o único Deus vivo e verdadeiro e para que espere o Salvador prometido. Através dos Profetas, Deus forma o povo na esperança da salvação e na expectativa de uma nova e eterna Aliança destinada a todos os homens.
Jesus Cristo, Mediador e Plenitude da Revelação -: “Muitas vezes e de diversos modos Deus falou, outrora, pelos profetas; agora, nestes dias, falou-nos por meio de seu Filho Jesus” (Hb 1, 1 – 2). Cristo é a Palavra única, perfeita e insuperável de Deus. Em Cristo, Deus Pai disse tudo, e não haverá nenhuma outra Palavra senão esta. Então, já não há que esperar nenhuma nova revelação antes da Parusia, a nova e gloriosa manifestação de Jesus Cristo, nos últimos dias. É bom saber que a fé cristã não pode aceitar nenhuma nova interpretação ou correção das palavras de Jesus Cristo, como muitos, hoje em dia, estão querendo fazer.
A transmissão da Revelação divina -: Cristo deve ser anunciado a todos os povos, para que a Revelação de Deus chegue a todas as partes do mundo. Para isso, a transmissão do Evangelho de Cristo se serve de dois meios principais:
A Tradição Apostólica -: Cristo ordenou aos Apóstolos que o Evangelho fosse por eles pregado a todos os homens, como fonte de vida e de verdade. A transmissão do Evangelho, segundo a ordem do Senhor Jesus, foi feita de duas maneiras: oralmente, pelos Apóstolos e seus discípulos, e por escrito, por Mateus, Marcos, Lucas e João. Para que o Evangelho continuasse inalterado e vivo na Igreja, os Apóstolos deixaram sucessores, os bispos e presbíteros, a eles transmitindo seus encargos de ensino aos povos (é o Magistério da Igreja).
A relação entre Tradição e Sagrada Escritura -: A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus redigida sob a inspiração do Espírito Santo. A Sagrada Tradição transmite aos sucessores dos Apóstolos a Palavra de Deus a eles confiada por Jesus e pelo Espírito Santo para que a conservem fielmente.
A interpretação da fé -: o patrimônio sagrado da fé cristã foi confiado pelos Apóstolos à Igreja, que a transmite ao povo de Deus através do seu Magistério, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo. Esse Magistério não está acima da Palavra de Deus, mas a serviço dela, não ensinando senão aquilo que foi transmitido. Por isso, o Magistério propõe, entre outras coisas, os dogmas de fé, existentes na Revelação, e que não podem ser alterados ou excluídos.
Graças ao Espírito Santo, a compreensão das verdades contidas na Revelação pode crescer na vida da Igreja. Fica portanto compreendido que a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja estão de tal modo unidos, que um não tem consistência sem os outros, mas juntos, cada qual a seu modo, promovem a salvação das almas.


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