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Cartas do Padre Beraldo

 

 

 

 

 

CARTA MCC BRASIL – OUT 2018 - 230ª

 “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações.

 E batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado.

 Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28, 18ª.-20).

 “Ele chamou os Doze, começou a enviá-los dois a dois...” (Mc 6, 7ª).

 

Caríssimos irmãos e irmãs, discípulos e discípulas missionários numa “Igreja em saída”: que a paz do Senhor Jesus esteja na sua vida:

 

Introdução. Outubro é o mês escolhido pela Igreja para ser o “Mês das Missões”. Impossível, pois, não ir buscar na palavra de Jesus e, sobretudo, no seu “testamento”, elementos que respaldem a vocação fundante, primordial, essencial, radical da Igreja por Ele pensada e iniciada com o chamamento dos seus primeiros Doze apóstolos (Mt 10, 2-4; Lc 6,13-16) e dos que lhes haveriam de suceder. Daí nascem, então, as duas citações acima. A partir delas lembro palavras atualíssimas do papa Paulo VI: “Nós queremos confirmar, uma vez mais ainda, que a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja; tarefa e missão, que as amplas e profundas mudanças da sociedade atual tornam ainda mais urgentes. Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o sacrifício de Cristo na santa missa, que é o memorial da sua morte e gloriosa ressurreição” (EN 14)[1].

 

1.            Todo batizado é enviado em missão. A partir da afirmação de São Paulo de que “... todos fomos batizados num único Espírito para formarmos um único corpo, e todos bebemos de um único Espírito...” e de que, “Com efeito, o corpo não é feito de um membro apenas, mas de muitos membros...” e ainda de que “Vós todos juntos, sois o corpo de Cristo e, individualmente, sois membros desse corpo” (1Cor 12, 13b;14;27), podemos e devemos concluir que cada membro do corpo de Cristo deve assumir sua responsabilidade pela missão evangelizadora da Igreja. Infelizmente, um dos maiores males que nossa Igreja ainda vem enfrentando, conforme insistente advertência do nosso papa Francisco, é o mal do clericalismo[2]. Em tal contexto, aqueles que se denominam fiéis acabam por ser fiéis somente à hierarquia. Esta foi constituída para evangelizar sim, mas também para serem, bispos e ministros, ordenados ou não, pastores do Povo de Deus. É urgente, pois, voltarmos à consciência evangélica de fidelidade a Jesus que envia seus seguidores, também leigos e leigas, para “fazer discípulos entre todas as nações”.

 

 

Se, contudo, ainda se fizer necessário algum um outro esclarecimento, vamos buscá-lo na EG[3] (120) em algumas afirmações fundamentais[4]: a) Sujeito ativo da evangelização:Em virtude do Batismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se discípulo missionário (cf. Mt 28, 19). Cada um dos batizados, independentemente da própria função na Igreja e do grau de instrução da sua fé, é um sujeito ativo de evangelização, e seria inapropriado pensar num esquema de evangelização realizado por agentes qualificados, enquanto o resto do povo fiel seria apenas receptor das suas ações”; b) O protagonismo do batizado: “A nova evangelização deve implicar um novo protagonismo de cada um dos batizados. Esta convicção transforma-se num apelo dirigido a cada cristão para que ninguém renuncie ao seu compromisso de evangelização, porque, se uma pessoa experimentou verdadeiramente o amor de Deus que o salva, não precisa de muito tempo de preparação para sair a anunciá-lo, não pode esperar que lhe deem muitas lições ou longas instruções”; c) Discípulo missionário: “ Cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus; não digamos mais que somos «discípulos» e «missionários», mas sempre que somos «discípulos missionários».

 

 

2.            Instituições eclesiais são radicalmente missionárias? Este parágrafo é aqui colocado a modo de interrogação. Porque as realidades na Igreja poderão mostrar-nos que nem sempre foi e nem sempre é assim. Muitas associações, movimentos ou comunidades nasceram e se desenvolverem por iniciativas meramente devocionais a partir de visões ou de supostas revelações pessoais. Esses fenômenos podem até ser perfeitamente explicados e demonstrados pela psicologia ou até pela psiquiatria. O que se pode perceber é que tais fenômenos atraem as pessoas para dentro de si mesmas e não apresentam, em geral, uma dimensão evangelizadora. É suficiente analisar os frutos de cada um desses fenômenos. Entretanto, existem movimentos eclesiais e pequenas comunidades que se caracterizam por sua ação evangelizadora, como, aliás, deveriam ser todos hoje. Escutemos novamente o papa Francisco na sua Exortação EG (30): a) Os diferentes carismas:O Espírito Santo enriquece toda a Igreja evangelizadora também com diferentes carismas. São dons para renovar e edificar a Igreja; b) Os carismas não são propriedades pessoais ou de um grupo. Não se trata de um patrimônio fechado, entregue a um grupo para que o guarde; mas são presentes do Espírito integrados no corpo eclesial, atraídos para o centro que é Cristo, donde são canalizados num impulso evangelizador; c) Garantia de autenticidade. Um sinal claro da autenticidade dum carisma é a sua eclesialidade, a sua capacidade de se integrar harmoniosamente na vida do povo santo de Deus para o bem de todos; d) Respeito pelos distintos carismas.  Uma verdadeira novidade suscitada pelo Espírito não precisa fazer sombra sobre outras espiritualidades e dons para se afirmar a si mesma; e) Comunhão eclesial. Quanto mais um carisma dirigir o seu olhar para o coração do Evangelho, tanto mais eclesial será o seu exercício. É na comunhão, mesmo que seja cansativa, que um carisma se revela autêntica e misteriosamente fecundo. Se vive esse desafio, a Igreja pode ser um modelo para a paz no mundo”.

 

3.            E o Movimento de Cursilhos vive hoje uma “Igreja em saída”?  Sendo nossas Cartas dirigidas especificamente aos participantes do Movimento de Cursilhos, deixo aqui algumas perguntas, ao que parece, incômodas. Faço-o a partir de sua definição como Movimento Eclesial com seu tríplice carisma contido na última parte de sua definição aprovada pela Igreja: a) encontro consigo mesmo; b) encontro com Jesus; c) encontro com a comunidade-mundo através de grupos de cristãos (pequenas comunidades de fé[5]) que fermentem de evangelho seus ambientes.

 

1ª. Pergunta:     O Movimento de Cursilhos na sua Diocese se resume aos três dias ou é realmente um Movimento – pré-cur-pós –, ou seja: está sempre “em movimento”?

 

2ª. Pergunta:     O pós-cursilho é somente o conjunto das reuniões de grupo ou ultreias das quais participam alguns cursilhistas, ou  se trata de um acompanhamento pessoal do candidato que acaba de sair de um cursilho?

 

3ª. Pergunta:     Leigos e leigas do MCC são apenas colaboradores nas Pastorais instituídas na paróquia, em tudo dependentes do pároco, ou são efetivamente comprometidos com uma “Igreja em saída”? Portanto, o MCC prepara discípulos missionários que façam a experiência de Jesus na sua vida e nos seus ambientes – não apenas no seio restrito de suas famílias – ou permanece fechado em si mesmo?   Ou é tido, como acontece em algumas Dioceses somente como um “movimento familiar?

 

 

Conclusão: termino rezando a Maria com um dos parágrafos da Oração final da EG: “alcançai-nos agora um novo ardor de ressuscitados para levar a todos o Evangelho da vida que vence a morte. Dai-nos a santa ousadia de buscar novos caminhos para que chegue a todos o dom da beleza que não se apaga”.

 

Meu carinhoso abraço fraterno,

Pe. José Gilberto BERALDO

Equipe sacerdotal do Grupo Executivo Nacional

MCC Brasil

E-mail: jberaldo79@gmail.com



[1] Exortação Apostólica EVANGELII NUNTIANDI sobre a Evangelização no mundo contemporâneo, Papa Paulo VI, 08/12/75

[2] Trata-se de um termo para identificar a predominância do clero sobre os leigos.

[3] Exortação Apostólica EVANGELII GAUDIUM sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, Papa Francisco

[4] Para melhor assimilação subdividi o parágrafo em letras.

[5] “Missão e Ministérios dos cristãos leigos e leigas”, Doc 62 CNBB,n.121.

 

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