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Cartas do Padre Beraldo

 

 

 

 

CARTA MCC BRASIL –ABR 2018 – 224ª.

“Se ressuscitastes com Cristo,

buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus;

cuidai das coisas do alto, e não do que é da terra.

Pois morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.

Quando Cristo, vossa vida, se manifestar,

então vós também sereis manifestados com ele, cheios de glória” (Cl 3, 1-4).

 

 

Introdução. É Páscoa! É Ressurreição! É vida nova! É tempo de alegria! É tempo de esperança! Cristo ressuscitou, aleluia! Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos” (Sl 118).

Escondidinhas entre os inúmeros comentários que você, minha querida leitora, meu querido leitor, vai encontrar para este tempo singular da nossa fé, você poderá interessar-se, também, por estas modestas reflexões. Dentro de suas limitações, espero que elas lhe possam ser úteis para algum momento de interiorização neste tempo privilegiado para os seguidores do Ressuscitado.

Tempo privilegiado sim, pois, iluminado pela fé cristã, ajuda-nos a caminhar à luz de Cristo cantada solenemente na Vigília Pascal quando, erguendo o Círio aceso com o “fogo novo”, o celebrante entoa: “Eis a luz de Cristo”. E, logo em seguida, na proclamação da Páscoa, suplicamos que esta luz continue a iluminar todos os dias de nossas vidas, ainda que sejam eles tão carregados de trevas e de escuridão como aqueles em que estamos: “O círio que acendeu as nossas velas, possa esta noite toda fulgurar; misture sua luz à luz das estrelas, cintile quando o dia despontar”. E cada dia de nossas vidas é um “despontar” com a luz de Cristo Ressuscitado!

Já aconselhava Santo Atanásio: “Os cinquenta dias entre o Domingo da Ressurreição e o Domingo de Pentecostes sejam celebrados com alegria e exultação, como se fossem um só dia de festa, ou melhor, ‘como um grande domingo’ ”.

 

 

1. Ressurreição de Jesus, fundamento de nossa fé. Desde o início, ainda no meio das pequenas comunidades de seguidores de Jesus, inúmeras eram as discussões e interpretações sobre o fato da ressurreição de Jesus. E isso, não obstante as claras intervenções do Apóstolo São Paulo através de suas cartas e visitas pessoais. E mesmo durante todos os tempos subsequentes, teólogos, biblistas e intérpretes dos Evangelhos não cessaram de fazer referências à ressurreição. E hoje? Ao fazer referência a acontecimentos fundantes de nossa fé – como a Ressurreição de Jesus, por exemplo – estamos sujeitos a certas interpretações tão em moda, mas, ao mesmo tempo, tão profundamente distorcidas como se fossem “fake news”, ou seja, “notícias mentirosas em geral publicadas na imprensa e/ou nas redes sociais”, “invenção”, “falácia”, “calúnia” etc.

Nunca é demais, portanto, lembrar, sobretudo neste tempo, o ensinamento de São Paulo sobre a fé cristã: Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? Se não há ressurreição de mortos, então Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é sem fundamento, e sem fundamento também é a vossa fé. Se os mortos não ressuscitam, estaríamos testemunhando contra Deus que ele ressuscitou Cristo enquanto, de fato, ele não o teria ressuscitado. Pois, se os mortos não ressuscitam, então também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, vossa fé não tem nenhum valor e ainda estais nos vossos pecados” (1Cor 15, 12-17).

 

 

Sugestão para uma reflexão pessoal e/ou do seu grupo: a) Em que bases sólidas você coloca a sua fé? Você está atento quando, na sua profissão de fé, no Credo, repete: “Creio... na ressurreição da carne, na vida eterna”? b) Você, logo após ter participado de uma missa de sétimo dia, por exemplo, sai da igreja e, por via das dúvidas, por não estar muito seguro da “ressurreição da carne” vai a um centro espírita para “falar com o falecido”? Afinal, nunca se sabe – dizem – e é bom garantir-se com a reencarnação!

 

 

2. Tempo pascal, tempo de encontro com Jesus ressuscitado e de anúncio missionário. Ao se esperar por um encontro com um grande amigo ou com alguém muito importante, gasta-se boa parte do tempo na preparação de tão ansiado momento. Certamente não foi diferente para o encontro com Jesus ressuscitado, pois tivemos, como preparação, todo o tempo quaresmal. Chegou, então, o momento para um encontro mais íntimo com Jesus. Com Jesus ressuscitado, vivo, resplendente, amoroso, próximo como nunca. Momento de “deixar arder o coração enquanto ele nos fala” (cf. Lc 24, 32). E, depois desse encontro, que ansiedade, que vontade de contar para todo mundo a alegria vivida naqueles momentos! Pois, na narrativa evangélica da ressurreição foi essa a atitude de Maria Madalena, dos apóstolos Pedro e João e dos discípulos de Emaús que, depois dos maravilhosos encontros com Jesus Ressuscitado, saíram para anunciar aos demais a alegre notícia: “Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: ‘Eu vi o Senhor’ e contou o que ele lhe tinha dito” (Jo 20,18). E: “Naquela mesma hora, levantaram-se e voltaram para Jerusalém, onde encontraram reunidos os Onze e os outros discípulos... Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão” (Lc 24, 33.35)

 

 

Sugestão para uma reflexão pessoal e/ou do seu grupo: a) Primeiramente, sugiro que, individualmente ou em grupo, releiam-se os relatos evangélicos acima citados. b) Com que intensidade você ou seu grupo viveu a preparação quaresmal para Páscoa? c) O jejum, a abstinência e a oração ajudaram-no na sua caminhada de conversão ou foram apenas palavras repetidas durante toda a quaresma, ou a observância quase que inconsciente de uma tradição familiar? d) Você participou das solenes celebrações da Vigília e do dia da Páscoa ou sua preocupação mais imediata foi, quem sabe, com o almoço festivo e outros detalhes meramente consumistas alusivos à data?

 

 

3. Tempo pascal e a “cultura do encontro”. Como aconteceu com aqueles que, por primeiro, viram Jesus ressuscitado e, apressadamente, foram contar aos demais, assim também nós, os que queremos ser fiéis “visionários” e seguidores do Ressuscitado, deveríamos sair como proclamadores da Boa Notícia de Jesus. E isso significa “ir ao encontro”, buscar o outro, a comunidade. Insistindo numa “Igreja em saída” o nosso papa Francisco volta constantemente ao tema da “cultura do encontro”. Encontro, primeiro com o Ressuscitado e, logo em seguida, com o outro”, com a comunidade. A esse respeito, na Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho), ele nos diz que temos pela frente um desafio importante que  é não fugir de uma relação pessoal e comprometida com Deus, que ao mesmo tempo nos comprometa com os outros. Infelizmente, isso é o que muitos que se dizem “fiéis” fazem hoje em dia, evitando criar vínculos profundos e estáveis. É preciso reconhecer que o único caminho é aprender a encontrar os demais, valorizando-os e aceitando-os como companheiros de estrada, sem resistências interiores. Trata-se de aprender a descobrir Jesus no rosto dos outros, na sua voz nas suas reivindicações; e de aprender a sofrer, abraçando Jesus crucificado, quando recebemos agressões injustas ou ingratidões, continuando a optar pela fraternidade. Aliás, é a fraternidade que nos ensina a ver a grandeza sagrada do próximo, a descobrir Deus em cada ser humano, a tolerar os incômodos da convivência, a abrir o coração ao amor divino para procurar a felicidade dos outros. Hoje, mais que nunca, o “pequeno rebanho” de discípulos do Senhor é chamado a viver como comunidade que seja sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5, 13-16), testemunhando, de forma sempre nova, uma pertença evangelizadora. Não deixemos que nos roubem a comunidade!” (EG 91-92).

 

 

4. Ressurreição de Jesus, tempo pascal, tempo de esperança. Penso que, com tudo o que foi considerado acima, deve ter renascido em cada um dos meus caros leitores e leitoras aquele vivo sentimento de esperança. Esperança que, além de ser uma das virtudes teologais, torna-se mais viva com a ressurreição de Jesus, promessa da nossa própria. Mais de uma vez, sobretudo nos relatos do Evangelista São João, Ele nos fala de “ressurreição no último dia”. (cf. Jo 3,16; Jo 5,21; Jo 6,40). Lembremos, entretanto, que, alicerçados em Jesus, somos chamados a alimentar essa nossa esperança não só no final, mas já, agora. Esperança num “novo céu e numa nova terra” (cf. Ap 21,1). Por oportuno, não poderia concluir sem mais uma citação da EG: “... E, no deserto existe sobretudo a necessidade de pessoas de fé que, com suas próprias vidas, indiquem o caminho para a Terra Prometida, mantendo assim viva a esperança. Em todo o caso, lá somos chamados a ser pessoas-cântaro para dar de beber aos outros. Às vezes o cântaro transforma-se numa pesada cruz, mas foi precisamente na Cruz que o Senhor, trespassado, Se nos entregou como fonte de água viva. Não deixemos que nos roubem a esperança!”

 

A todos envio meu carinhoso e fraternal abraço, pedindo a todos uma lembrança na sua oração por este servidor, amigo e irmão,

Pe. José Gilberto BERALDO

Equipe Sacerdotal do GEN

E-mail: jberaldo79@gmail.com

 

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