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Aula 20/10/2014

ESCOLA VIVENCIAL DO GED DE PIRACICABA – 2014 

 

A MENTALIDADE HEBRAICA E A LINGUAGEM BÍBLICA

20/Outubro/2014    

           

À moda oriental -: como os orientais em geral, os judeus gostavam de falar de um modo teatral. Assim, sem necessitar de muitas explicações, a idéia que queriam exprimir se tornava mais clara, quase palpável. Usavam expressões que, se analisadas friamente, eram verdadeiros exageros. Por exemplo, um rei, para dizer que seu exército era numeroso, diria: “A poeira da Samaria não será bastante para encher as mãos de meus soldados” (1Reis, 20, 10). Em vez de dizer “houve fome em muitos países”, diziam “houve fome na terra inteira”. Há uma passagem dos Evangelhos (Lc 14, 26) em que Jesus diz: “Quem não odiar pai, mãe ... não pode ser meu discípulo”. Ora, odiar, no caso, significa amar menos que ao Cristo. Por tudo isso, existe o perigo de, ao interpretar com a linguagem de hoje muitas passagens da Bíblia, se formem idéias diferentes e até mesmo completamente erradas daquilo que está escrito. 

 

Os problemas da língua hebraica -: o idioma hebraico não tinha, como quase todas as línguas da antiguidade, os recursos das línguas modernas. Um exemplo pode ser achado nesta frase da Bíblia: “Muitos são chamados e poucos os escolhidos” (Mt 22, 14). Nós dizemos claramente: “É maior o número dos chamados e menor o número dos escolhidos”.

            Os judeus usavam comparações e imagens que não podem ser tomadas, como já foi dito, ao pé da letra. As idéias abstratas estavam ligadas a coisas materiais. Eis alguns exemplos:

            Para significar fraqueza, os judeus diziam “carne, cinza, poeira, flor que murcha cera derretida”; para dizer força, eram usados “montanha, rochedo, bronze, tempestade, exército”. A glória de Deus era referida como “luz, brilho, relâmpago”, e a fartura era simbolizada como “leite, mel, água, azeite”. E assim por diante. 

 

O significado dos números -: na linguagem da Bíblia, os números não têm o mesmo valor nem o mesmo significado que tem para nós. Quando dizemos um número, procuramos ser matematicamente exatos, interessa-nos a quantidade real. Para os judeus, os números também tinham um significado simbólico. Por exemplo, a idade dos Patriarcas, cem, duzentos ou mais anos, não era contada como o número real dos anos vividos, mas em veneração que mereciam, do quanto eram queridos por Deus. No capítulo quinto do Gênesis, encontra-se uma série de dez gerações desde Adão até Noé. Mas dez era apenas o número que indicava uma série completa. Falando de dez gerações, o escritor sagrado queria dizer o número completo de gerações desde Adão até Noé, fossem quantas fossem.

            Do mesmo modo, São Paulo menciona “dez adversários” que querem nos separar de Cristo (Rom 8, 38ss) e os “dez vícios” que podem nos excluir do Reino de Deus (1Cor 6, 9ss). Quando nós, nos dias de hoje, damos um número, queremos dizer exatamente esse valor. Podem-se ver alguns exemplos: Mc 11, 2; Lc 19, 30 e Jo 12, 14, dizem que Jesus entrou em Jerusalém montado em um jumento. Porém, em Mt 21, 2 falam-se, de uma jumenta e de um jumentinho. Mc 10, 46 diz que, ao sair de Jericó, Jesus curou um cego; Mt 20, 30 diz que foram dois cegos curados. Em Lc 9, 14, na passagem da multiplicação dos pães e dos peixes, diz-se que “cinco mil homens” foram saciados. Evidentemente, Lucas quis dizer uma multidão. O mesmo vale para At 2, 41, onde os que foram batizados, naquele dia, eram “umas três mil pessoas”. Quanto tempo teria levado isso?

 

Gêneros literários -: o gênero literário é o tipo de escritura que compõe qualquer livro. Por exemplo, temos diversos tipos de escritos, como dramas, comédias, fantasias, biografias, documentários e outros tantos. Se estivermos lendo um livro para crianças, não se pode entender esse livro como se fosse um livro contendo uma história real. Há muita diferença entre um livro de poesia e um livro científico, como entre um discurso político e uma homilia.

            A Bíblia contém diversos livros, e, portanto, diversos gêneros literários. Há narrativas, históricas ou não, poesia, parábolas, profecias, etc., e temos que levar isso em conta. Se não, vamos interpretar mal o que foi escrito. O que existe no Apocalipse ou nos Profetas não pode ser interpretado da mesma forma aquilo que se lê nos Evangelhos. Ao se ler as Epístolas não se devem esquecer que são cartas destinadas, em geral, a um público bem específico.

            Por tudo isso, o estudo bem orientado da Bíblia é recomendado para todos aqueles que desejam aprofundar os seus conhecimentos bíblicos e assim entender melhor a Palavra de Deus.

 

 

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