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Aula 10/2009
 8- 2ª. CARTA AOS CORÍNTIOS
RETRATO DO AGENTE DE PASTORAL
(6,3 A 11,20)
 
   Algumas explicações necessárias: sabemos já que Paulo havia sido avisado por Timóteo que havia grandes problemas na comunidade de Corinto, principalmente pela existência dos “fortes” (pessoas influentes, ricas, que haviam abraçado a fé em Cristo, mas não queriam perder seus privilégios e achavam que podiam fazer tudo que quisessem). Por volta do ano 55, Paulo havia estado em Corinto e foi abertamente enfrentado pelo chefe dos “fortes”. Paulo saiu de lá muito triste, prometendo voltar logo que pudesse. Não podendo viajar, mandou o texto que está em 2Cor 2,14 – 7,4. Não resolveu muito. Paulo, então, escreve uma carta muito dura, que são os capítulos 10, 11, 12 e 13 de 2Cor. Neles, Paulo defende energicamente o seu modo de ser e de anunciar o Evangelho contra alguns representantes dos “fortes” que começaram a interpretar a doutrina de modo diferente, de acordo com seus interesses.
   Nesses capítulos, Paulo garante que esses “fortes” se dizem hebreus e israelitas, consideram-se agentes de pastoral, ministros de Cristo, mas pretendem destruir o trabalho que foi feito por ele. Gostam de mostrar dons “extraordinários” (falar em línguas estranhas, profetizar sem base, etc.) e vivem às custas da comunidade, aproveitando-se dela e tornando-a submissa a eles. Os “adversários” de Paulo são uma caricatura dos verdadeiros agentes de pastoral.
   Retrato do verdadeiro agente de pastoral: em 6,3 – 10, Paulo mostra como deve ser um verdadeiro agente de Cristo. É um trecho longo, mas que merece ser reproduzido: “Evitamos dar qualquer motivo de escândalo...em tudo somos ministros de Deus: pela perseverança nas tribulações, necessidades, angústias, açoites, prisões, desordens, fadigas, vigílias e jejuns; pela pureza, ciência, paciência e bondade, pela atuação do Espírito Santo, pelo amor sem fingimento, pela palavra da verdade, pelo poder de Deus, pela justiça, na glória e no desprezo, na boa e na má fama, tidos como impostores e, no entanto, dizendo a verdade; como desconhecidos e, no entanto, conhecidos; como agonizantes e, no entanto, estando vivos; como castigados, mas livres da morte; como tristes e, no entanto, sempre alegres; como indigentes e, no entanto, enriquecendo a muitos; nada tendo, mas tudo possuindo”.
   Mas do que Paulo é acusado?: alguns coríntios sustentavam que Paulo “não pertence a Cristo”. “Pertencer a Cristo” significava ser um dos Doze Apóstolos. E Paulo não o era. Em segundo lugar, diziam que Paulo era um destruidor de comunidades, por ser muito cuidadoso com as comunidades não fundadas por ele. Em terceiro lugar, os “fortes” acusavam Paulo de ser “tão humilde quando está entre os coríntios, e tão prepotente quando está longe”. Em quarto lugar, Paulo é acusado de ser decepcionante, pois “sua presença é fraca e sua palavra é desprezível”. Paulo, certamente, não tinha figura impressionante e, como ele próprio reconhecia, não sabia falar com brilho. Em resumo, não se comunicava de modo agradável. Paulo também é acusado, em quinto lugar, de não dar espetáculo, como alguns outros evangelizadores faziam. Em sexto lugar, Paulo é acusado de “invadir o terreno dos outros”, ou seja, pregar em comunidades não fundadas por ele. Finalmente, em sétimo lugar – e esta é a acusação principal – Paulo é acusado de não amar os coríntios, por causa de suas contínuas advertências a eles.
   Quem está por trás dessas acusações?: os coríntios não chegaram a formular sozinhos todas essas acusações contra Paulo.Por trás deles estão aqueles que Paulo chama de “super-apóstolos”. Pessoas influentes, representantes da hierarquia dos “fortes” que querem comandar a comunidade à sua maneira. Paulo mostra o verdadeiro rosto dessas pessoas: em primeiro lugar, apóiam-se no poder da linguagem, enganando os mais humildes com sua fala rebuscada. Depois, tiram partido de sua posição social e buscam a sua própria projeção, e não a de Cristo. Em terceiro lugar, pretendem sustentar seu “status” religioso na comunidade, apelando a um pretenso poder recebido de Jesus, tornando-os líderes e adulados por todos. Em resumo, iguais aos fariseus do judaísmo.
   Quem é o autêntico evangelizador?: Embora seja o fundador da comunidade, Paulo não se considera seu dono. O dono é Deus. Paulo se preocupa com o bem integral dos coríntios, e não quer ser pesado para eles. Por isso, trabalha como qualquer um deles, diferente dos “super-apóstolos”, que querem ser sustentados pela comunidade.
Quanto ao prestígio como líder, Paulo prefere mostrar suas fraquezas e não seus feitos gloriosos. Não quer, por ser quem é, receber privilégios; antes, quer ser igual a todos.
E diz: “Pois quando sou fraco, então é que sou forte”.
   Paulo termina esta carta dizendo aos coríntios (e também a cada um de nós): “Examinem-se a si próprios e vejam se estão firmes na fé. Façam uma revisão de si mesmos. Será que vocês não reconhecem que Jesus Cristo está em vocês? A não ser que não passem na prova!” (13, 15).
 

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