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Aula 02/2009
Aula 2
CARTA AOS ROMANOS:
A SALVAÇÃO VEM PELA FÉ
(3, 21 a 4, 25)
 
       Deus anistia a todos: depois de mostrar que o julgamento de Deus pesa tanto sobre os pagãos quanto sobre os judeus, Paulo procura demonstrar que Deus pode perdoar a todos, escrevendo: “e não há distinção: todos pecaram e estão privados da glória de Deus, mas se tornam justos através de sua Graça, mediante a libertação realizada por meio de Jesus Cristo”. É o tema central da carta: o perdão concedido a todos, judeus e pagãos, pois o ser humano não pode se salvar por si próprio. Então Deus envia seu Filho Jesus para que toda a humanidade se torne justa. Mas Deus pede que, em troca, a humanidade faça a sua adesão ao seu projeto.
       Somente a fé nos torna justos: Paulo avisa, pois, que a humanidade não pode conquistar a salvação, mas que esta lhe é dada como um presente de Deus. Isso elimina um dos grandes “privilégios” que Israel imaginava possuir, ou seja, que por ter a Lei, somente os que a observavam podiam ser salvos. Essa era uma visão dos fariseus, que Jesus combateu e que Paulo também combate na carta.
       De acordo com a visão dos fariseus, a prática da Lei era suficiente para justificar a pessoa, obrigando Deus a ser bom para ela, recompensando-a . Paulo demonstra justamente o contrário: ninguém é merecedor de coisa alguma diante de Deus. Isso leva a concluir que Deus anula os nossos erros e a nossa dívida, anistiando toda a humanidade. E Paulo acrescenta: “Pois esta é a nossa tese: o homem se torna justo pela fé, independente da observância da Lei”.
       Assim, Deus deixa de ser um Deus pertencente a uma única nação para se tornar o Deus verdadeiro, que não faz distinção entre seus filhos. A Lei e a circuncisão discriminam, a fé iguala a todos.
       Abraão, pai dos que tem fé: Paulo era judeu, e sabia muito bem que Abraão era o tronco do qual brotou o povo judeu. Isso era outro “privilégio” dos judeus: ter Abraão por Pai. Paulo vai mostrar então que Abraão se tornou justo pela sua fé, muito antes de ser circuncidado e de conhecer a Lei. Diz Paulo: “Abraão teve fé em Deus e isso lhe foi creditado como justiça”.
       Estudando a vida de Abraão, Paulo descobriu que a circuncisão de Abraão ocorreu somente depois que ele foi, por Deus, considerado justo por causa de sua fé. Qual seria, então, o mais importante? A fé ou a circuncisão? Paulo responde na carta: “Ele recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça que vem da fé, que ele já tinha antes de ser circuncidado”.
os não circuncidados que crêem em Deus. Abraão é também, claro, pai dos judeus circuncidados de vida limpa, mas não por eles serem judeus e circuncidados, mas por serem crentes de coração.       Visto sob este aspecto, Abraão se torna “pai de todos
       O que é ter fé: como Paulo bem sabia, as comunidades cristãs de Roma eram diferentes quanto à sua origem racial, cultura e condição social. Porém, há um elo de ligação entre todas as comunidades, e esse elo é “a fé em Jesus Cristo”.
Paulo foi um fariseu irrepreensível. Mas, depois que fez a experiência com Jesus, na estrada de Damasco, sua vida e sua visão da religião mudaram radicalmente. Como fariseu, julgava que apenas a prática da Lei tornava as pessoas justas. Como cristão, ele viu que a justificação vem pela fé. E o que é essa fé? Segundo Paulo, é entregar sua vida a Deus.
       Foi o que aconteceu a Abraão: Deus havia feito a ele o chamado acompanhado de uma promessa, ou seja, ter terra, descendência e dar início ao Povo de Deus. Abraão acreditou, embora pudesse parecer a qualquer um que eram promessas irrealizáveis, pois ele era velho e Sara, sua mulher, era estéril. E Paulo assinala: “Esperando contra toda esperança, Abraão acreditou e se tornou pai de muitas nações. Ele não fraquejou na fé, embora estivesse vendo o próprio corpo sem vigor – ele tinha quase cem anos – e o ventre de Sara já estivesse amortecido”.
       Deus torna justo a Abraão por sua adesão incondicional, sem garantias nem certezas. Foi assim, diz Paulo, que Abraão se tornou pai de todos os que crêem em Deus e em Jesus Cristo.
       O mesmo acontece conosco, diz a carta. Nós somos justificados quando acreditamos que Deus ressuscitou a Jesus dentre os mortos para nos livrar dos pecados e nos dar vida nova. Somos todos chamados a fazer como Abraão: dar a nossa adesão a Deus e a Jesus, sem exigir provas e sem buscar certezas ou garantias.
 

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