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Aula 02/10/17 - "Devo Ocupar-Me Das Coisas De Meu Pai"

ESCOLA VIVENCIAL DO GED DE PIRACICABA – 2017

                  

“DEVO OCUPAR-ME DAS COISAS DE MEU PAI”

02/Outubro/2017

 

 

Uma frase especial -: esta frase acima, falada em Lc 2, 49, é a primeira frase dita por Jesus nos Evangelhos. Foi por Ele pronunciada aos 12 anos, no episódio por todos conhecido, quando deu a resposta aos pais que o procuravam. e acabavam de encontrá-lo no Templo.

            Na verdade, este episódio é o único narrado pelos Evangelhos em relação à meninice de Jesus. Nada mais existe sobre Jesus desde a época de seu nascimento até ao tempo de sua vida pública.

            Sempre perguntamos qual era a ideia que Jesus fazia sobre si mesmo, e até que ponto, ainda criança, conhecia a verdade de sua existência. Saberia Ele que era o Filho de Deus, e que teria uma missão divina a cumprir? Esta sua frase, aos 12 anos, nos dá uma ideia bastante precisa sobre isso. Ainda que não anunciada, a sua missão de Profeta de Deus, e de sua Messianidade, já era conhecida por Ele, e, mais importante, já tinha para Ele o seu verdadeiro sentido.

 

 

Aprofundando o episódio -: vejamos o episódio todo em Lc 2, 48 - 50.  É estranho que Maria e José não tenham entendido o que Jesus respondeu (o próprio Jesus deve ter estranhado, pois a sua pergunta é: “Não sabíeis...?”. No entanto, uma vez pronunciada, nem sequer foi entendida por eles... “Mas não compreenderam o que lhes dissera...”).

            A resposta deve ser procurada nas traduções do texto grego, que pode ser interpretado de duas formas: “estar na casa” ou “ocupar-me das coisas”. Assim, ou teremos “Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” ou  “Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?”. Na primeira, Jesus quereria dizer que devia ocupar-se da missão que Deus lhe havia confiado; na segunda, estaria dizendo que, como o Messias, deveria estar sempre no Templo. São duas interpretações diferentes da mesma frase do grego (embora Jesus falasse aramaico, o Evangelho de Lucas foi escrito em grego).

            Mas, seja uma ou outra resposta, dá na mesma, pois Jesus tanto se ocupou da sua missão, quanto, sempre que podia, estava nos templos e sinagogas.

 

Outra pergunta -: também podemos perguntar por que Jesus deixou seus pais partirem, e não se preocupou em pensar que seus pais poderiam ficar  como ficaram aflitos. Ainda uma vez a resposta de Jesus indica que seus pais não deveriam estar preocupados, pois Ele só poderia estar na “casa do Pai”, isto é, no Templo.

            Não existe aí nenhuma manifestação de pouco caso: “Não sabíeis...?”  nem de censura por uma busca que não precisaria ser feita: “Por que me procuráveis...?”, mas simplesmente tratava-se de uma tranquilização, algo assim como se Jesus dissesse  a José e Maria “não era preciso preocupar-se, eu só podia estar aqui”.

 

 

Mais questões -: no entanto, permanece aquela frase “... e eles não compreenderam”. Porque não se pode admitir que Nossa Senhora não compreendesse o mistério de Jesus e de sua missão.  Maria sabia aquilo que Jesus era desde o anúncio do anjo ( Lc 1, 32-35), de Isabel ( Lc 1, 43 );  dos pastores ( Lc 2, 18 )  e de Simeão e Ana ( Lc 2, 29-38 ).

            Mas uma coisa é saber, e outra bem diferente é compreender toda a extensão da natureza e da missão de seu Filho.

            Por que Jesus separou-se dos pais, causando-lhes aquela aflição e aquela dor? Por que não avisou os pais ? Ainda não havia chegado sua hora, logo, que valor teria aquele episódio?

            Não é fácil compreender, pois não podemos penetrar, ainda hoje, nas atitudes que Jesus tomou em algumas ocasiões. No entanto, alguns exegetas acreditam que essa atitude significa a primeira dor que seria imposta a Maria, antecipando muitas outras, de acordo com a profecia de Simeão.

            Por outro lado, é preciso lembrar que, embora uma criatura especial, Maria era simplesmente um ser humano, que vivia de fé, mas não tinha um conhecimento perfeito de tudo aquilo que Deus exigiria dela. Além disso, tudo era mãe, e o conhecimento de que seu filho era especial não tirava dela a preocupação natural de ser uma mãe humana.

            Foi por isso que o estudioso francês da vida de Maria, Lyonnet, assim comentou sobre esse episódio, referindo-se a Maria:

            “Somente pouco a pouco ela compreenderá até que ponto os caminhos de Deus são diferentes, e que todas às vezes, em que imaginamos ter chegado ao fundo dos Seus mistérios, estamos apenas na superfície.”

 

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